10 empreendedoras brasileiras de sucesso para te inspirar

10 empreendedoras brasileiras de sucesso para te inspirar

As mulheres têm demonstrado cada vez mais a sua força como empreendedoras. Segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Brasil possui a 7ª maior participação feminina entre os empreendedores iniciais. Elas também são a maioria nos setores de comércio (52,95%), indústria (65,20%) e serviços (55%).

“As mulheres tendem a ser analíticas ao decidir empreender, além de estarem mais abertas a opiniões e dicas. De forma geral, a afinidade com determinado segmento aparece primeiro, de acordo com sua rotina e vivência, e então ela percebe naquela experiência uma boa oportunidade de empreender” afirma Marceliy Frassi Bridi, analista do Sebrae.

Neste Dia Internacional da Mulher, o IEV separou o exemplo de 10 empreendedoras brasileiras de sucesso, que servem de inspiração por sua determinação e competência na hora de inovar.

1 – Ana Fontes

Ana Fontes nasceu em uma pequena cidade de Alagoas. Quando tinha quatro anos, sua família migrou para Diadema, São Paulo, em busca de oportunidades. Apesar da falta de recursos, os pais fizeram questão de investir na educação dos filhos. Ana estudou em uma escola pública, se formou em Publicidade e Propaganda em uma faculdade particular. Pagava as mensalidades com ajuda de vizinhos e vendendo bolos.

A formação foi o caminho para Ana conseguir emprego em uma multinacional nos anos 90. Fez ainda pós-graduação em Marketing e em Relações Internacionais. Mesmo assim, nada parecia ser o suficiente para que ela crescesse nas empresas em que trabalhou. “Um dos meus superiores chegou a elogiar meu currículo, mas disse que não iria me promover porque eu era mulher”, diz. A necessidade constante de se superar no ambiente corporativo ficou ainda mais forte depois que ela se tornou mãe.

Em 2009, surgiu a oportunidade de participar do programa 10.000 Mulheres, uma parceria entre a FGV e o grupo Goldman Sachs, que oferece capacitação em gestão de negócios para melhorar a qualidade do empreendedorismo feminino. Com a experiência, percebeu uma demanda de educação empresarial pouco explorada.

Para compartilhar seu conhecimento e poder ajudar mais mulheres a transformarem suas ideias em negócios viáveis, em 2010 ela criou a Rede Mulher Empreendedora. A plataforma para compartilhar conteúdo e divulgar empresas de mulheres tornou-se a maior rede focada em empreendedorismo feminino no Brasil e já ajudou mais de 270 mil empreendedoras.

2 – Chieko Aoki

Chieko Aoki é CEO e fundadora da rede de hotéis Blue Tree Hotel, uma das maiores cadeias hoteleiras do Brasil. A empresária também trabalhou no grupo de hotéis Caeser Park Hotels e na organização americana mais antiga e tradicional no setor, a Westin Hotels & Resorts. Em 2013 Aoki foi nomeada pela revista Forbes como “a segunda mulher de negócios mais poderosa do Brasil”.

Chieko nasceu no Japão e se mudou para o Brasil com seis anos, se naturalizando posteriormente. A empreendedora fez a maior parte de sua carreira fora do país, atuando no ramo de hotelaria nos EUA e em países da Europa e Ásia, retornando em 1992 com o objetivo de iniciar seu próprio negócio no ramo.

A rede Blue Tree Hotel se tornou um grande sucesso, e Chieko Aoki também ficou conhecida pela quantidade de prêmios que possui, mesmo trabalhando em um mercado competitivo, sendo uma das executivas mais respeitadas do país.

3 – Alcione Albertoni

A empreendedora Alcione Albanesi fundou a importadora de lâmpadas FLC e a ONG Amigos do Bem, que combate a fome e a miséria no Brasil.

Aos 14 anos, ela arranjou um trabalho como modelo, mas já almejando ser dona de confecção de roupas, por isso se inseriu nos bastidores do corte e costura. Mais tarde, montou seu negócio e aos 17 anos comandava 100 costureiras.

Em 1992, com a confecção vendida e outra loja bem-sucedida em funcionamento, Alcione encontrou uma lâmpada fluorescente sendo vendida a baixo custo em uma loja nos EUA, várias vezes mais barata que no Brasil, onde ainda era novidade. Quando leu “Made in China” no produto, resolveu ir sozinha visitar o país e perguntar pelas lâmpadas. Foram 71 viagens à China desde então, que contribuíram para a criação e o rápido crescimento da FLC.

4 – Zica Assis

Heloisa Assis veio de uma família humilde, de 13 filhos, em que o pai trabalhava como biscateiro e a mãe como lavadeira. Diante dessa situação, Zica começou a trabalhar aos 9 anos de idade, como babá, faxineira e empregada doméstica. Por conta de seu cabelo cacheado e volumoso, sofria preconceito.

Aos 21 anos de idade, cansada de alisar o seu cabelo para conseguir emprego, Zica decidiu fazer um curso de cabeleireira e começou a testar a fabricação de produtos para tratar seus cachos. Após inúmeras tentativas, conseguiu criar o produto, que começou a fazer sucesso entre seus conhecidos.

Em 1993, Zica, que ainda atuava como doméstica, pediu dinheiro emprestado para sua patroa, vendeu o carro do marido e investiu no seu primeiro salão, o Beleza Natural, no Rio de Janeiro. Por ter achado um nicho ainda inexplorado, o estabelecimento tinha filas desde as 5 da manhã. Hoje, sua rede é a maior do Brasil em produtos para cabelos crespos e cacheados.

5 – Maria José de Lima Freitas

Maria José de Lima Freita, Mazé, perdeu o emprego de faxineira em um banco e, depois de mais de um ano buscando trabalho, resolveu vender doces. “Fiz um doce de amendoim e coloquei para vender. Ganhei R$ 20 e comecei meu negócio. Meu pai me falava que doce não dava dinheiro. Mas, eu tinha dívidas para pagar, dois filhos para sustentar e um sonho para realizar”, diz.

Apesar da ideia, o negócio não deslanchou de primeira. Depois de passar quatro anos endividada, a empreendedora colocou as contas em dia e participou do programa de capacitação do Sebrae, o Empretec.

Em 2006, construiu sua primeira fábrica e no ano seguinte a primeira loja: a Mazé Doces virou um ponto turístico de Carmópolis, MG. Hoje, ela produz de três a cinco toneladas de doces por mês, que podem ser encontrados em vários estados da região sudeste do país.

6 – Danyelle Van Straten

Danyelle Van Straten é fundadora da rede de franquias de depilação Depyl Action. A história da marca começou com a sua mãe, Glaci Van Straten, que criou uma cera com mel e própolis para proporcionar às mulheres uma depilação suave, não agressiva, e começou a vender para salões de Balneário Camboriú, SC.

Após 10 anos vendendo o produto, mãe e filha perceberam que se realmente quisessem proporcionar uma experiência diferente, teriam que inovar, oferecendo também o serviço de depilação. “Apostamos na criação de um ambiente moderno e elegante, especializado em depilação, com profissionais treinadas para cuidar das pessoas com todo o carinho e cuidado que merecem”, diz Danyelle.

A primeira loja nasceu em Brasília, sendo hoje a maior referência do país no ramo. A Depyl Action possui mais de 100 franquias espalhadas pelo Brasil e exterior.

7 – Cecília Prado

Dona da marca que leva o seu nome, a empreendedora Cecilia Prado também conseguiu destaque no mercado trazendo inovação para um negócio que já estava em sua família.

A mineira transformou a fábrica de tricô tradicional, trazendo a técnica para a sua marca e criando peças com design contemporâneo e toques artesanais. A ideia fez sucesso e não demorou para que as criações de Cecilia chamassem a atenção, não só nacionalmente, mas também fora do Brasil, passando a ser exportada em 2006.

Atualmente, Cecilia tem duas lojas próprias em São Paulo e vende suas peças em lojas multimarcas e de departamento em mais de 20 países espalhados por toda a América, Europa, África, Oriente Médio e Ásia, sendo a China um dos seus principais mercados. Fora os pontos de venda físicos, é possível encontrar a marca da designer em renomadas lojas virtuais.

8 – Bedy Yang

Bedy Yang é uma das mulheres mais admiradas no movimento de startups no país. Antes de virar investidora, foi dona de uma loja que vendia produtos artesanais brasileiros, em São Francisco (USA).

Com ascendência chinesa, a paranaense estava se especializando em economia da China, mas passou a observar uma grande oportunidade em intermediar empreendedores brasileiros com investidores americanos do Vale do Silício.

Bedy investiu em empresas como Viva Real, Conta Azul, Descomplica, Ingresse, IDwall. A frente da 500 Startups, a empreendedora comanda os investimentos do fundo no Brasil e na América Latina.

9 – Maitê Lourenço

A psicóloga Maitê Lourenço, ao se perceber como única mulher negra nos eventos de inovação que frequentava, tomou para si a missão de promover maior diversidade racial no ecossistema empreendedor. Criou, em 2016, o BlackRocks, um laboratório de inovação comprometido com a aceleração de negócios e pessoas e com desenvolvimento de lideranças. Para compor o quadro de colaboradores, escolheu profissionais com tanta ou mais qualificação técnica que empresários de grandes aceleradoras, mas pouco vistos por causa da cor da pele.

Em 4 anos de existência, o projeto ganhou notoriedade, impactando a vida de centenas de empreendedores. “O BlackRocks criou uma tecnologia social de mobilização em rede”, define Maitê. “Durante e depois da nossa atuação, encontramos diversos empreendedores extremamente criativos, profissionais com muita competência para apoiar e desenvolver empreendedores. Estão cada vez mais criando estratégias de atuação no ecossistema, desenvolvendo negócios em parceria, tornando-se compradores e fornecedores da rede”.

10 – Cristina Junqueira

A vice-presidente do Nubank, Cristina Junqueira, é uma das três fundadoras da startup. O negócio começou com três sócios em maio de 2013, em São Paulo, sendo uma das maiores fintechs do Brasil atualmente.

Cristina se formou em Engenharia de Produção na USP, fez mestrado e MBA em Negócios na Kellogg School of Management. Trabalhou como analista interna no Itaú, e aos 24 anos assumiu um cargo de liderança no Unibanco, no setor de seguros para pequenas e médias empresas.

A experiência na gestão de um banco tradicional brasileiro foi uma espécie de gênese da criação do seu mais famoso negócio. Ao ser convidada para desenvolver um projeto na área de cartões, o banco não recebeu muito bem suas ideias inovadoras. Cristina as aproveitou na startup, que começou com o mote de oferecer cartão de crédito sem taxas e com comunicação direta com os clientes. 

Nesta semana, Cristina Junqueira fez história ao se tornar a primeira mulher brasileira a aparecer visivelmente grávida na capa de uma revista de negócios.

A edição da Forbes deste mês lista as mulheres mais importantes do país e Cristina estampa a primeira página da publicação com o seu barrigão de 40 semanas. O feito inédito no país representa uma parcela de mulheres que engravidam enquanto estão no mercado de trabalho, enfrentando dificuldades e até mesmo demissões após a licença maternidade. Uma pesquisa da FGV mostra que metade das mulheres que engravidam e voltam para seus empregos são demitidas em até 12 meses.

Ser mãe não significa trabalhar menos. Mulheres que optam pela maternidade precisam ter esse direito respeitado pelo empregador, um dos principais avanços que ainda precisam ser conquistados pelas mulheres.

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