Gestão de empresas familiares: como fazê-la dar certo?

A gestão de empresas familiares é o processo de gerenciamento de uma companhia que tem no controle membros que possuem um grau de parentesco.

Garantir que essa administração seja efetiva é essencial para o sucesso deste tipo de negócio no país. Só para você ter uma ideia, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em conjunto ao Sebrae revelou que 90% das empresas do Brasil provêm desse tipo de gestão.

Esse cenário engloba tanto organizações de capital aberto quanto de capital fechado de pequeno, médio e grande porte.

Uma Pesquisa Global da PwC analisou empresas familiares globalmente e chegou a estatísticas importantes que destacam os desafios desse tipo de gestão como:

  • 44% das empresas com gestão familiar não possuem plano de sucessão definido;
  • 72,4% não tem políticas de sucessão para altos cargos estratégicos – presidência, diretoria, gerência e gestão.

Além da sucessão, outros pontos como as políticas financeiras, o crescimento da equipe e os conflitos entre razão e emoção, requerem muita atenção.

Continue a leitura e entenda mais sobre a gestão em empresas familiares, os principais desafios e como fazer uma gestão em família de sucesso 

O que é uma gestão familiar?

Quando um negócio é administrado por familiares, geralmente, é passado de geração em geração e essa sucessão vai decidindo os rumos da empresa.

Esse perfil de empresa no Brasil representa 65% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega 75% da força de trabalho do país.

É importante destacar que esse tipo de negócio não tem apenas familiares no quadro de funcionários. No geral, os familiares costumam ocupar posições de chefia e estão diretamente ligados às tomadas de decisão. Já profissionais de fora fazem parte da equipe operacional, trabalhando na execução do serviço ou produto.

Empresas familiares brasileiras como a Tramontina e o Itaú Unibanco, por exemplo, estão há anos no mercado com grande sucesso em suas áreas. Porém, é claro que viveram contratempos e os enfrentaram ao longo de suas histórias. 

Ou seja: superar os desafios e investir em processos sólidos é o caminho para fazer uma gestão de empresas familiares eficiente.

Quais os tipos de empresas familiares?

Antes de falarmos dos principais desafios, conheça os principais perfis de empresas familiares.

Eric Lethbridge, professor da Universidade Oxford, classifica as organizações familiares em três tipos:

1. Empresa familiar tradicional: de capital fechado, a família tem 100% do controle e pouca transparência em relação à gestão administrativa e das finanças;

2. Empresa familiar híbrida: de capital aberto, a família ainda mantém controle, mas a gestão acontece com mais transparência e existem profissionais de fora no quadro da empresa;

3. Empresa de influência familiar: também de capital aberto, a família não está na administração, mas tem parte significativa em ações e, por isso, exerce grande influência nas decisões. 

Conheça mais sobre esse perfil de empresa no vídeo abaixo com o professor Armando Lourenzo, Doutor em Administração pela FEA/USP e Diretor da Ernst & Young:

Quais são os desafios de gestão encontrados em uma empresa familiar?

Os conflitos em empresas familiares geram muitos desafios para a gestão. 

Por isso, é importante saber quais são eles para poder contorná-los. Conheça os principais:

Conflitos entre família e funcionários “de fora”

Dependendo da postura das pessoas na gestão de empresas familiares, atrair e reter talentos profissionais “de fora” pode ser um grande desafio.

Isso porque as limitações para avançar na carreira, lidar com conflitos familiares no trabalho e o tratamento especial dado aos membros da família podem gerar muita insatisfação.

Quem vem de fora traz visões diferentes sobre o negócio e, se o ego não for retirado da equação, a família pode enxergar a atitude como interferência e não colaboração.

Porém, é fundamental destacar que a colaboração é essencial e ter uma visão imparcial de que um profissional experiente enriquece o trabalho.

Qualificações profissionais familiares

Um alto cargo exige um profissional igualmente qualificado para ocupar a posição. Na gestão de empresas familiares, o padrão não pode ser diferente.

Porém, justamente por “serem da família”, muitos profissionais ocupam cargos para os quais não estão preparados.

Esse descompasso entre qualificação profissional e cargo deve ser conduzido com muita atenção, pois a falta de experiência pode resultar em tomadas de decisão equivocadas. 

Distribuição de lucros e margem de salário

Outro desafio da gestão de empresas familiares é em relação a duas definições financeiras importantes: o salário dos membros da família e a distribuição de lucros.

Não é incomum ver as pessoas da família ganhando mais em empresas. Para evitar a insatisfação com o restante dos funcionários, é vital que a empresa remunere a todos adequadamente.

Além disso, a distribuição de lucros deve ser bem definida, ou seja, ter um teto estabelecido para que não haja um desfalque no caixa. Por isso, a gestão financeira precisa ser 100% transparente.

Definição do plano de sucesso

Um dos momentos cruciais da gestão de empresas familiares é o da sucessão, isto é, quando a primeira geração passa o bastão para a segunda.

Aqui entra em jogo uma habilidade muito importante: a capacidade de delegar

Se o dono for centralizador e não treinar sua equipe para permitir que ela tenha autonomia, o processo de sucessão fica mais complicado.

É natural existir uma insegurança em deixar o negócio, mas a renovação é igualmente importante. Se a gestão familiar nas empresas tiver processos sólidos, a troca de liderança tem todo o potencial de ser mais suave e ainda manter os resultados obtidos. 

Como aliar a gestão de empresa familiar com a solução de conflitos?

Para ter os melhores resultados com a gestão de empresas familiares, siga as dicas abaixo:

Incentivar a gestão colaborativa

A liberdade para expressar pontos de vista no trabalho é imprescindível na gestão de empresas familiares. Tanto familiares quanto os outros funcionários devem colaborar com suas análises e serem levados a sério.

Isso evita uma alta taxa de turnover (rotatividade de funcionários) e previne a perda de profissionais estratégicos para o negócio.

Leia também: Como expandir uma empresa familiar? 4 dicas e 3 perguntas-chave.

Priorizar a capacitação e a qualificação da equipe

É adequado que tanto os membros da família quanto os profissionais de fora possuam  formação profissional para seus cargos.

Promover capacitações e treinamentos para atualização também é essencial para manter o alto nível da equipe.

Oferecer incentivos para o time

Ter uma política de salários bem definida é importante para conseguir separar o pessoal do profissional em um quadro familiar de funcionários, além de atrair outros colaboradores qualificados para melhorar a gestão de empresas familiares.

Organizar a sucessão

Buscar uma consultoria para organizar o primeiro plano de sucessão com os requisitos necessários é um dos pontos mais relevantes na gestão de empresas familiares.

Criar diretrizes para que o processo seja o mais analítico possível ajuda a lidar com as interferências pessoais que podem existir, sem prejudicar a escolha de alguém competente para a posição.

Gestão de pessoas em empresas familiares: considerações

Como vimos acima, os desafios da gestão de empresas familiares são perfeitamente contornáveis se a postura dos líderes for inspiradora.

Uma gestão estratégica é crucial para a manutenção e longevidade de um negócio. Para atingir esse objetivo, investir na capacitação da equipe é fundamental.

Nessa perspectiva, o Instituto de Especialização em Vendas (IEV) pode ajudá-lo. Contamos com cursos que ampliam o campo de visão de empreendedores, com metodologias práticas e aplicáveis para se tornarem inspirações para seus funcionários.

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