Gestão unificada do Google: as implicações de Pichai no controle da Alphabet

Gestão unificada do Google: as implicações de Pichai no controle da Alphabet

Na última terça-feira (03), o indiano Sundar Pichai, CEO do Google, assumiu também a presidência da holding Alphabet, que detém a empresa em si e outros negócios adjacentes como Android e YouTube. Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, deixaram a função de forma inesperada.

A Alphabet ocupa a posição de terceira companhia mais valiosa do mundo, com US$ 892,97 bilhões, e teve leve alta nas ações com o anúncio. Especialistas e investidores, porém, reagiram com indiferença à mudança – Page e Brin continuam com o controle acionário, 51%, da empresa.

Pichai está na equipe do Google desde 2004, começou como gerente de desenvolvimento da Toolbar e, à medida em que os softwares iam avançando, o engenheiro também avançou na gestão de produtos estratégicos, como o sistema operacional Android. Em 2015, quando Page e Brin decidiram criar o grupo Alphabet, Pichai virou CEO do Google.

Segundo os fundadores, “Sundar traz humildade e uma profunda paixão por tecnologia para nossos usuários, parceiros e funcionários, diariamente” e que é “o momento natural para simplificar a estrutura de gestão” por isso a escolha.

Algo semelhante ocorreu na saída de Bill Gates do dia-a-dia da Microsoft, em 2008. O multibilionário da tecnologia continuou como presidente administrativo da empresa e pouca coisa mudou após sua saída, pois a cultura da Microsoft já estava muito bem consolidada.

Em ambos os casos, as companhias enfrentavam pressão da opinião pública e autoridades reguladoras quanto à onipresença de seus produtos. A Microsoft foi acusada de monopólio pelos EUA e União Européia e na época resolveu a situação liberando os códigos de alguns de seus softwares – e com a saída de Gates. O Google sofre acusações semelhantes e também em relação à violação da segurança de dados de seus usuários: a Anistia Internacional considera que a empresa, juntamente com o Facebook, viola os direitos humanos.

“O Google e o Facebook estabeleceram políticas e processos para responder aos seus impactos em privacidade e liberdade de expressão, mas, dado que seus planos de negócios baseados em monitoramento afetam a essência do direito à privacidade e colocam em sério risco outros direitos, as empresas não estão nem adotando uma postura holística, ou questionando se os seus modelos de negócios são compatíveis com responsabilidade de proteger os direitos humanos”, diz a Anistia Internacional em documento que pede a regulação dos serviços das empresas.

Desde o surgimento das polêmicas, Page e Brin se afastaram dos holofotes e aos poucos da empresa, segundo relato de funcionários. Page, inclusive, em 2018, faltou a uma reunião do comitê investigativo do Senado americano sobre interferências em eleições estrangeiras. Mark Zuckeberg, fundador e presidente do Facebook, compareceu ao Congresso e deixou sua política de dados mais clara, mesmo assim, enfrentou severas críticas.

A descentralização da figura dos criadores na gestão da empresa pode ser uma estratégia para evitar a pressão, assim como fez Bill Gates. Além disso, fatiar as big techs para desconcentrar poder econômico, a exemplo da petrolífera Stanford Oil em 1911, tornou-se pauta na corrida para a Casa Branca, representada pelos candidatos o Elizabeth Warren e Bernie Sanders. 

Na prática, as implicações da mudança na gestão do Google são muito mais políticas do que administrativas. Sundar Pichai, entretanto, quer dar mais a “cara do Google” à Alphabet, e trazer mais humanidade e inspiração. Em meio as críticas, ao New York Times, ele diz: “tecnologia não resolve os problemas da humanidade, é sempre ingênuo pensar que sim” e “Acho que estamos superestimando o papel da tecnologia como solução para os problemas, da mesma forma que, provavelmente, estamos superestimando a tecnologia como fonte de todos os problemas”.

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